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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Jaques Wagner e Paulo Souto falam da Educação na Bahia

Fonte: Equipe do Educar para Crescer
Candidatos ao governo da Bahia falam sobre as principais questões ligadas à Educação.

São muitos os desafios relacionados à Educação na Bahia, na visão dos principais* candidatos ao governo do Estado: alto índice de analfabetismo, escolas com os piores desempenhos nacionais no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), uma urgente melhora na capacitação dos docentes.
Enquanto o candidato à reeleição, Jaques Wagner, se orgulha dos resultados obtidos em seu governo com o programa TOPA (Todos pela Educação) e contabiliza a alfabetização de mais de 460 mil jovens e adultos, seu adversário, Paulo Souto, cobra mais qualidade. “Não podemos nos contentar com resultados deficientes que se limitem, por exemplo, a uma assinatura.”
Souto, 67 anos, já comandou o Estado por duas vezes, entre 1995 e 1998 e 2002 e 2006. Em seu último mandato, diz ter implantado uma forma de ascensão profissional para professores por meio de uma avaliação realizada a cada três anos. Porém admite que essa saída não se relaciona com a efetiva melhoria do desempenho dos alunos e precisaria ser complementada, talvez via concessão de bônus para os aqueles que se destacarem.
Aos 59 anos e à frente do Estado pela primeira vez após perder a eleição de 2002 para o mesmo Paulo Souto com quem disputa agora, Wagner considera “cedo” sua eventual saída do governo. “Estamos apenas começando. Porque tivemos apenas quatro anos e porque substituímos uma visão de governo totalmente antagônica à nossa”, afirma. Ele aposta no ensino profissionalizante como ponte efetiva entre o Ensino Médio e o mercado de trabalho. “Em 2007, eram apenas 4 mil matriculados e agora estamos com 40 mil inscritos no Ensino Médio profissionalizante. Nossa meta para 2014 é de 84 mil.”
Acompanhe estas e outras opiniões dos dois candidatos nas entrevistas individuais realizadas com perguntas formuladas pelos conselheiros do Educar para Crescer. Os entrevistados não tiveram acesso antecipado às questões.
*Pesquisa IBOPE realizada entre os dias 03 e 05 de agosto de 2010. Jaques Wagner (PT): 46%; Paulo Souto (DEM): 19%; Geddel Vieira Lima (PMDB): 11%. Demais candidatos: 1% ou menos. Indecisos: 14%; Branco e Nulo: 9%.
No Brasil ainda temos aproximadamente 15 milhões de mulheres e homens acima dos quinze anos de idade que não conseguem, por serem analfabetos, ler o lema da própria bandeira nacional: Ordem e Progresso. Na sua eventual atuação como governante, que ação fará para não consolidar essa injusta e vergonhosa ironia cívica?
Pergunta elaborada por: Mario Sergio Cortella, filósofo, ex-secretário municipal de Educação de São Paulo, doutor em Educação, professor da PUC-SP
Jaques Wagner – Tenho orgulho de poder responder a essa pergunta com um trabalho grande realizado, que foi o TOPA (Todos pela Alfabetização), o maior programa de alfabetização em curso no país. Ao todo, já temos 460 mil pessoas alfabetizadas por meio de cursos que não se restringem apenas ao clássico ler e assinar o nome, e sim a oito meses de aulas. Se todos os outros 500 mil alunos conseguirem se formar, vamos completar esses quatro anos com praticamente um milhão de alfabetizados acima de 15 anos.